Por onde começar o reparo quando a TV não liga

13 de maio de 2015

Quando uma TV chega à bancada de uma oficina, são estabelecidas duas frentes de atuação que estão inter-relacionadas:

- Na primeira, o profissional verifica qual a técnica de reparo mais apropriada para executar a manutenção. No processo, o reparador aplica seus conhecimentos teóricos, a partir da análise do sintoma do defeito. Nesse momento, é traçada uma linha lógica de manutenção.

- A segunda técnica, embora às vezes pareça um processo instintivo, é a aplicação do conhecimento na prática, pois é caracterizada por ações de pesquisa que, com uso de um instrumento de medida, devem levar a um diagnóstico, determinando o componente defeituoso. Portanto, o técnico precisa saber por onde começar o reparo.

Antes de iniciar os procedimentos de manutenção, é importante que o técnico pense na sua integridade física e não se arrisque. Um choque elétrico pode causar sérios danos (e até morte) ao ser humano.

Mesmo em circuitos que trabalham com baixa tensão (CIs/transistores), a tensão da rede elétrica está presente no chassi, na chamada parte “quente” do aparelho, e os estágios dessa parte não estão isolados da rede elétrica. Para localizar a parte “quente” de um aparelho de TV, deve-se seguir a entrada do cabo de força, em que, normalmente, estão presentes o fusível, os diodos retificadores, o capacitor eletrolítico de filtro principal e o transformador. Em fontes chaveadas, esse transformador possui tamanho bem menor e é de ferrite.

Outra dica importante nesse tipo de manutenção é a utilização de um recurso muito simples para evitar danos maiores: o dispositivo anticurto, uma tomada com uma lâmpada em série de 60 ou 80 watts.

O procedimento inicial começa com o cabo de força desconectado da tomada e a descarga do capacitor eletrolítico da fonte. A presença de uma tensão residual de décimos de volts nesse capacitor imediatamente descarta a hipótese de curto. Em seguida, procede-se à descarga da tensão residual de alta-tensão do tubo de imagem.

Cabe lembrar que o técnico deve ter cuidado com a “alta-tensão do cinescópio”, pois, mesmo depois de desligada a TV, o ânodo do cinescópio pode apresentar carga residual de alta-tensão. Portanto, quando são feitos reparos internos em um televisor, inicialmente, deve-se providenciar a descarrega do ânodo do tubo.

Para isso, pode-se usar um resistor de baixo valor (1000Ω, 1W) conectado entre uma das extremidades de dois fios. Nas outras extremidades, deve-se soldar duas garrinhas. Uma delas é ligada ao chassi (terra do circuito) e a outra é presa a uma chave de fenda com cabo de boa isolação. Em seguida, o reparador deve aproximar a ponta da chave de fenda do terminal elétrico da “chupeta”. Essa operação deve ser repetida por cerca de três vezes, a fim de garantir a descarga total do tubo.

O próximo passo é conectar o cabo de força ao dispositivo anticurto energizado e pressionar o botão Power, passando-o para a posição On. Se a TV não acender, o primeiro suspeito será o fusível. Se ele estiver queimado, deve-se descobrir a causa. Um fusível pode queimar devido a uma sobretensão na rede de energia ou por alguma causa desconhecida. Nesse caso, é preciso desconectar o cabo de força da tomada e trocar o fusível.

O próximo passo é voltar a conectar o cabo de força à tomada e ligar o aparelho para verificar o comportamento do circuito de entrada e dos seguintes componentes: diodos retificadores, capacitores adjacentes aos diodos retificadores, capacitor eletrolítico da fonte, CI oscilador PW, fototransistores (FTS) e transistores STRS.

Se existir algum curto, a lâmpada do dispositivo anticurto consumirá toda a corrente do circuito, acenderá com todo brilho e permanecerá acesa. Nesse caso, há um curto no aparelho, que pode ser no circuito de entrada da rede ou na fonte de alimentação.

Com o televisor desligado e usando um multímetro analógico na escala RX1, o técnico deve verificar o estado dos diodos retificadores, dos capacitores adjacentes a eles e do capacitor eletrolítico da fonte. Esse capacitor eletrolítico é o maior capacitor da fonte. No teste desse capacitor, ao tocar as pontas de prova do multímetro em seus terminais, o ponteiro tem de ir para algum valor de baixa resistência e, em seguida, retornar para alta resistência. Se ficar medindo baixa resistência, há algo errado.

Se a lâmpada acender forte e, depois, for diminuindo o brilho até quase apagar, é sinal de que não há curto na entrada, então a pesquisa deve ser realizada a partir da fonte de alimentação e toda a linha de +B deve ser examinada.

Se a lâmpada acender com luminosidade fraca e, possivelmente, ficar piscando, o restante do circuito de entrada estará em boas condições. Nesse caso, a TV mostrará se tem defeito nas etapas seguintes.

Tipos de televisor

17 de março de 2015

Televisor Analógico: para receber transmissão de sinais digitais, o aparelho necessita de um conversor digital. Os televisores antigos usam tubo de raios catódicos (CRT), também chamado de cinescópio. Dentro do tubo há duas placas: uma positiva e outra negativa. Quando a tensão entre as placas é muito alta, gera elétrons, e, quando estes atingem a placa positiva, a diferença de energia gera um feixe de luz que atravessa o tubo e para na parte de trás do vidro da televisão, formando a imagem.

Televisor Digital: permite receber as transmissões digitais sem necessidade de um conversor digital. Também pode receber transmissões analógicas. Já o televisor de alta definição (HDTV) é capaz de reproduzir imagens com definição de 720 ou 1080 linhas horizontais.

Há duas importantes diferenças da TV digital em relação à analógica: a qualidade e a resolução. Essas diferenças são amplas e ficam mais evidentes nas imagens em movimento.

A melhor qualidade da TV digital deve-se ao fato de não ter chuviscos, fantasmas ou chiados, enquanto que a melhor resolução se refere à alta definição da imagem.

A resolução das televisões com padrão analógico é de aproximadamente 512 por 400 pixels, enquanto a do padrão digital trabalha com 1080. Isso permite que a imagem digital seja composta por muito mais pontos, com um formato widescreen, com a proporção 16:9, diferente do padrão analógico, que funciona na proporção 4:3.

O áudio é outra vantagem a ser considerada, pois, enquanto a TV analógica trabalha com um canal (mono) ou dois canais (estéreo) de áudio, a TV digital suporta até seis canais.

Os televisores digitais podem se apresentar de três formas:

TV LCD: com painel de LCD, tecnologia que usa como fonte de luz (backlight) lâmpadas fluorescentes. Um feixe de luz passa por pequenas células que contêm cristal líquido controlado por uma corrente elétrica. Assim são geradas as três cores básicas para a formação de imagens: vermelho, verde e azul.

TV LED: também usa painel de LCD. O processo de recepção funciona praticamente como o de uma TV de LCD só que a tecnologia usada como fonte de luz (backlight) emprega um conjunto de LEDs com as cores primárias (vermelho, azul e verde). Essa tecnologia faz com que a luz seja exatamente igual durante todo seu tempo de uso e não ocorra perda de brilho ou alteração de cor, independentemente de ter ou não uma luz acesa.

TV Plasma: no painel de plasma, encontram-se pequeninas células que contêm uma mistura de gases. Quando uma corrente elétrica passa por essas células, excita os gases, que passam para o estado plasma, gerando luz.

Circuitos de proteção do aparelho de som Semp Toshiba, modelo MS75XX

4 de novembro de 2014

Olá, leitores do blog do Curso de Radiotécnico e Eletrônica do IPR!

Os aparelhos de som, em sua grande maioria, possuem circuitos de proteção para desligarem assim que algum problema for detectado.

Vejamos alguns tipos de proteção:

  • Proteção dos amplificadores de áudio – A proteção dos amplificadores visa garantir a integridade dos componentes associados a esse circuito, mesmo quando ele estiver operando em situações extremas.
  • Proteção térmica – Estrategicamente, há componentes colocados em pontos críticos no estágio amplificador, assim, é feito um monitoramento da temperatura do circuito, sendo que, ao ultrapassar valores predeterminados de fábrica, o aparelho desliga, evitando que componentes sejam danificados.
  • Proteção contra curto-circuito – Como há possibilidade de curto-circuito na saída do amplificador, foi implantada uma proteção no conector que interliga as caixas com o aparelho, a fim de garantir a proteção, caso as caixas sejam conectadas ou desconectadas com o aparelho ligado. Essa proteção possui dispositivos que atenuam a corrente e fazem a desconexão da carga.
  • Proteção contra corrente contínua (DC) – Talvez o nome mais adequado fosse “proteção contra falha da tensão simétrica”, pois esse circuito detecta falha na tensão positiva e negativa. Uma falha nesse circuito pode causar danos ao alto-falante, tendo em vista que a corrente contínua fará com que o cone seja deslocado de sua posição de repouso. Nesse caso, o anel de suspensão é tensionado, fazendo com que haja um aquecimento na bobina e, consequentemente, a queima do alto-falante. Para que isso não ocorra, essa proteção entra em atividade assim que a fonte simétrica falha, impedido que a tensão e a corrente contínua cheguem ao alto-falante.
  • Proteção contra ceifamento (clipping) – Essa proteção atua quando o nível do sinal que está sendo amplificado ultrapassa os limites predeterminados, fazendo com que haja “cortes” no áudio que está sendo reproduzido. Para que isso não aconteça, a proteção faz com que o ganho seja reduzido automaticamente, minimizando o efeito. Essa proteção não faz com que o aparelho seja desligado, mas ele passa a operar atenuando o nível de sinal.
  • Proteção contra transitórios Em alguns amplificadores, é comum escutar um ruído no alto-falante quando o circuito do amplificador é energizado, isso se deve a correntes transitórias nesse circuito. Essa proteção atua fazendo o “emudecimento”, ou seja, faz com que o “mute” seja acionado assim que o aparelho é energizado, dessa forma não se escuta aquele ruído desagradável no alto-falante.

Agora que já conhecemos algumas das proteções desse aparelho, vejamos de que modo ele é inicializado.

Os aparelhos de som da Semp Toshiba, da família MS75XX, contam com um regulador de tensão na fonte de alimentação, o L4959 que, quando o aparelho é ligado à rede elétrica, disponibiliza duas principais tensões: 5,6V no pino 3 e 12V no pino 1. Ambas as tensões são responsáveis pela inicialização do microprocessador. Assim que o micro é inicializado, aparece na tela a demonstração (demo) do aparelho, mostrando seus gráficos, níveis de equalização e outros.

No mesmo instante em que a demonstração está sendo exibida no display do aparelho, é disponibilizada a tensão de 8,6V no pino 9 do regulador da fonte. Essa tensão alimentará o circuito do CD, fazendo o posicionamento da bandeja de modo que o “CD1” fique sobre o pick-up da unidade óptica. Após concluir esses procedimentos, o aparelho entra em stand-by (em espera).

Ao ser dado um “Power on”, o micro envia um pulso de tensão para o pino 7 do regulador da fonte e, nesse momento, é disponibilizado às demais tensões, e o aparelho liga.

É importante lembrar que o regulador é alimentado por uma tensão de 12V nos pinos 2 e 10. Essa tensão vem do transformador e é retificada pelos diodos da fonte de alimentação.

A figura mostra parte do esquema elétrico e a “pinagem” do regulador da fonte de alimentação.

O principal responsável pelo correto funcionamento do aparelho é o microprocessador LC876B64C, que recebe as informações e as processa.

Um simples toque em uma tecla qualquer do painel envia uma informação para o processador na forma de nível lógico 0 ou 1, sendo que 0 (zero) significa que um terminal do processador será aterrado, ou seja, 0 volt. Quando uma tecla do painel é pressionada, o pino do micro passa a ter o nível lógico 1 (pulso positivo), ou seja, passa a ser alimentado por uma tensão. O nível lógico 1 não significa que a tensão a ser aplicada no pino do processador seja de 1 volt, mas que certa tensão será aplicada a um terminal.

Para que o micro possa funcionar corretamente, quatro circuitos necessitam estar em perfeito funcionamento, são eles:

  • alimentação do sistema (VDD);
  • clock do sistema;
  • oscilador do relógio;
  • reset.

Recebendo a alimentação do sistema, o micro oscila em uma frequência, normalmente de 10MHz, de forma a se comunicar com os demais circuitos integrados. Podemos dizer que essa é a “linguagem” de “conversação” entre os circuitos integrados. A essa “linguagem” damos o nome de clock do sistema, ou seja, é a velocidade de “conversação” entre um circuito integrado e outro.

O oscilador do relógio funciona com uma frequência fixa de 32.768kHz. Essa frequência serve apenas para que o relógio funcione corretamente, porém, se esse oscilador não estiver funcionando corretamente, o sistema não permitirá que o aparelho ligue.

O circuito de reset é responsável por reiniciar o aparelho, ou seja, quando usuário desliga o aparelho e torna a ligá-lo, esse circuito atua reiniciando os parâmetros para o modo de inicialização.

Em uma parte do esquema elétrico é mostrado o circuito de reset.

O diodo HD707 é alimentado com 5V pela linha de VCC. Essa alimentação chega ao terminal positivo do capacitor CE701, que inicialmente está descarregado.

Enquanto o capacitor se carrega, ele “atua” como se estivesse em curto-circuito para a corrente elétrica, fazendo com que a base do transistor HQ701 seja polarizada. Nesse momento, a corrente no coletor é zero, pois o transistor está saturado, ou seja, condução máxima entre coletor e emissor. Quando a tensão é 0 volt no coletor, o reset é acionado.

Quando o microprocessador está alimentado com VCC, com sinal de reset e sinal do relógio ativo, está pronto para ligar o aparelho, bastando um toque no botão “Power on” para que o microprocessador disponibilize uma tensão de aproximadamente 4,5VDC pelo pino 91.

A alimentação de 4,5VDC polariza o pino 7 do regulador da fonte de alimentação, tornando disponível, também, a tensão de +12V (SW) e -12V (SW). Nesse mesmo instante, é disponibilizada a alimentação para os LEDs de função do painel frontal.

Veja que, em um primeiro diagnóstico, se há tensão na fonte, mas ao dar um “Power on” as demais tensões não são disponibilizadas, devemos verificar se a tensão de 4,5V está chegando ao pino 7 do regulador da fonte, pois ela deve chegar ao pressionar a tecla “Power”. Se isso não ocorrer, devemos verificar se a alimentação está chegando no microprocessador. Caso não esteja chegando, é preciso verificar todos os componentes da linha de VCC.

Caso a alimentação esteja chegando ao microprocessador, mas não esteja saindo o pulso de “Power on” no pino 91, devemos verificar o circuito oscilador e reset, pois certamente o defeito estará nessa região.

Em alguns casos, o defeito está no cristal oscilador; se ele não estiver oscilando dentro da frequência de 10MHz, o aparelho não ligará. Mas também pode ser apenas uma solda fria nesse componente que está fazendo com que o aparelho fique inoperante.

Outro componente muito importante nesse circuito, e em todos os que utilizam microprocessadores, é a memória EPROM. Nesse componente fica armazenada a rotina de inicialização. Quando é dado um “Power on” no aparelho, o circuito de reset entra em funcionamento; assim que ele estiver pronto para funcionar, o microprocessador estabelecerá uma “conversação” com a memória EPROM, através da linguagem de clock (SCL) no pino 80, sendo que a troca de informações se dará pelo sinal de data (SDA) no pino 81. Se a memória estiver com defeito, corrompida ou com mau contato, o aparelho não ligará. Para solucionar esse problema, basta trocar a memória por outra nova; mas ela também pode ser regravada, desde que estejam disponíveis os dados corretos para esse modelo e se tenha um gravador de memória EPROM.